A relação mais íntima, traiçoeira e definidora de uma mulher é a que ela trava consigo mesma.

(apud Eduardo Giannetti)

Muitas das notas deste diário serão falsas e mentirosas. Acredite.

*****************************************************************************

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Fingimento

Dêm-me uma máscara e eu serei sincera.

Nas mulheres do Cabo não reconheço outro gênio que o da mentira. É uma arte doméstica a da dissimulação, do artifício, do fingimento. Como a de saber esperar, recolher as migalhas, reconstruir, recolar e redourar suas pobres vidas.
Aquelas que não mentem são preguiçosas, não se dão sequer ao trabalho de arrumar um pouco a verdade, quanto mais não seja por polidez, ou então para intrigar a vizinhança.
Para mim, a insinceridade é mais uma maneira segura de multiplicar minha personalidade, ser única para cada outro. Com os homens daqui, é sempre preferível a astúcia à autenticidade. Perto de minha arte de fingir, tudo parece imperfeito.

Nenhum comentário: