A relação mais íntima, traiçoeira e definidora de uma mulher é a que ela trava consigo mesma.

(apud Eduardo Giannetti)

Muitas das notas deste diário serão falsas e mentirosas. Acredite.

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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Silêncio

Ou eu observo mal, ou os casais no Cabo não conversam entre si.

As palavras servem tanto para aproximar, quanto o silêncio para afastar.

Aqui, só quem corre risco de falar são as crianças.
Eu também me calo, sou do Cabo de Santo Agostinho e aprendi a ser quieta.

Quietinha.

Não me quero ligar aos outros pra valer.
Só quem fala se expõe à maledicência.

domingo, 17 de agosto de 2008

Nao Tem Solução

Aconteceu um novo amor
Que nao podia acontecer
Nao era hora de amar
Agora o que vou fazer?
Nao tem soluçao
Este novo amor
Um amor a mais
Me tirou a paz
E eu que esperava
Nunca mais amar
Nao sei o que faço
Com esse amor demais.

(Dorival Caymmi e Carlos Guinle)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Biquíni (Millôr Fernandes)

O biquíni é o triunfo do nada, a vitória da suposição absoluta. Apoiado onde, nunca ninguém vai saber. Vê-se-o sem que exista, admite-se onde não está, é sem ser e só adquire aparência de existir na retórica que o circunda.

O biquíni é a derradeira medida antes da não medida. Padrão moral, portanto, irrecusável. A metade do ano passado, quando já era menos da metade de si próprio, o mínimo que se supunha possível de uma coisa ou de outra qualquer coisa.

Mas sem essa ausência concretizada, sem essa negação tão visível com que se vestem as raparigas em flor, a praia de Ipanema não seria o que é, já que nunca pode ser como já foi.

Biquíni: o mínimo que uma mulher pode usar antes de não usar coisa alguma.

Millôr Fernandes - A Bíblia do Caos, 1994)

sábado, 2 de agosto de 2008

...bocadinho só!

As mulheres aqui no Cabo, quando traem seus maridos, fazem-no por amor, o que as conduz à pior das tragédias: casar-se com seu amante.
Os ex-infelizes maridos, cedo aprendem que "...com qualquer dez mil réis e uma nêga, se faz um vatapá!"
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*Homenagem à Dorival Caymmi (1914-2008)

Curiosidade

Santo Agostinho (não o acidente geográfico) dizia que "é preciso um mínimo de bens materiais para exercer as virtudes do espírito."
Eu tenho pena dessas pessoas que assisto seu lamentoso ir e vir na rua 55.


Sei como é triste ser pobre, nunca ter tido nada.
Mas será pior do que a angústia do rico, de saber que não adianta ter tudo?