O biquíni é o triunfo do nada, a vitória da suposição absoluta. Apoiado onde, nunca ninguém vai saber. Vê-se-o sem que exista, admite-se onde não está, é sem ser e só adquire aparência de existir na retórica que o circunda.
O biquíni é a derradeira medida antes da não medida. Padrão moral, portanto, irrecusável. A metade do ano passado, quando já era menos da metade de si próprio, o mínimo que se supunha possível de uma coisa ou de outra qualquer coisa.
Mas sem essa ausência concretizada, sem essa negação tão visível com que se vestem as raparigas em flor, a praia de Ipanema não seria o que é, já que nunca pode ser como já foi.
Biquíni: o mínimo que uma mulher pode usar antes de não usar coisa alguma.
Millôr Fernandes - A Bíblia do Caos, 1994)

Um comentário:
No dia 3 de Junho de 1946, o Francês Louis Réard introduziu, na sua coleção de trajes de banho, um terno de duas peças muito audacioso, o biquíni, chamado porque assim "explosivo" que a bomba atômica americana que tinha explodido em isla do biquíni no Pacifico oceano... Beijos Zenlic thefridaywearpainter
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